segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Recall Educação: modelo norte-americano apresenta defeitos.

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'NOTA MAIS ALTA NÃO É EDUCAÇÃO MELHOR'
02 de agosto, de 2010 - 0h00
Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo



Erro. Ênfase em responsabilização de professor é danosa para a educação, afirma Diane


Uma das principais defensoras da reforma educacional americana - baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas - mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.

Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação.
Suas revisão de conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia entrevista concedida por Diane ao Estado.

Por que a senhora mudou de ideia sobre a reforma educacional americana?

Eu apoiei as avaliações, o sistema de accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo.

Em sua opinião, o que deu errado com os programas No Child Left Behind e Accountability?

O No Child Left Behind não funcionou por muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter 100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer que isso não aconteceria - e não aconteceu. Segundo, os Estados acabaram diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim, porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações mínimas.

Qual é o papel das avaliações na educação? Em que elas contribuem? Quais são as limitações?

Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações. Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes, e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria, apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação. Qualquer medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste.

Na sua avaliação, professores também devem ser avaliados?

Professores devem ser testados quando ingressam na carreira, para o gestor saber se ele tem as habilidades e os conhecimentos necessários para ensinar o que deverá ensinar. Eles também devem ser periodicamente avaliados por seus supervisores para garantir que estão fazendo seu trabalho.

E o que ajudaria a melhorar a qualidade dos professores?

Isso depende do tipo de professor. Escolas precisam de administradores experientes, que sejam professores também, mais qualificados. Esses profissionais devem ajudar professores com mais dificuldades.


Com base nos resultados da política educacional americana, o que realmente ajuda a melhorar a educação?

As melhores escolas têm alunos que nasceram em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido, em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história, artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes. Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação.

O que se pode aprender da reforma educacional americana?

A reforma americana continua na direção errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem punitiva que começamos no governo Bush. Privatizações de escolas afetam negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral. E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a destruí-los.


Quais são os conceitos que devem ser mantidos e quais devem ser revistos?

A lição mais importante que podemos tirar do que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação. Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação.



QUEM É
É pesquisadora de educação da Universidade de Nova York. Autora de vários livros sobre sistemas educacionais, foi secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação entre 1991 e 1993, durante o governo de George Bush. Foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para o National Assessment Governing Board, órgão responsável pela aplicação dos testes educacionais americanos.


Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100802/not_imp589143,0.php




sábado, 7 de agosto de 2010

BLOG DO EULER: O PODER E A FORÇA DA INFORMAÇÃO

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A falta de união da categoria é um dos maiores problemas enfrentados pela educação, entretanto há ventos de mudança no ar. Ontem, o Blog do Euler, educador de Minas Gerais, comemorou as 50 mil visitas e 242 postagens contadas a partir do dia 28.04.2010.

Temos que comemorar essa conquista, pois ela é um indicativo de que a união da categoria é possível, e já é realidade na blogosgera e no cotidiano dos educadores de Minas Gerais. A informação oferecida, pelo Blog do Euler, foi a responsável, não só por esse fenômeno, como também desempenhou um importante papel no sucesso da histórica greve dos docentes mineiros, batizada como a“Revolta dos 47 dias”, rompendo o silêncio conivente da mídia, manteve os docentes informados estimulando-os na luta.

Euler assim descreve outra importante função desempenha pelo seu blog: “O nosso blog tem também procurado contribuir com a construção voluntária e horizontal de uma rede de blogs que trata dos problemas da Educação pública e de outros problemas ligados aos de baixo. De modo informal, dezenas de blogs dialogam entre si com certa frequência”. A rede a cada dia está crescendo e promovendo a união da categoria, cimentando-a através da informação e do diálogo.

Acabei de enviar um e-mail de congratulações e aproveitei o momento para propor a criação da UVD - União Virtual do Docentes - uma comunidade reunindo professores de todo o Brasil, para o debater e discutir os rumos da educação nacional. Docentes unidos para apresentar propostas concretas e reais, denunciar as arbitrariedades, fiscalizar a aplicação dos recursos, partilhar nossos problemas, desenvolver campanhas virtuais para cobrar dos nossos representantes na câmara e no congresso medidas para solução dos problemas relativos à educação.

Reproduzo abaixo, o artigo escrito pelo Euler referente a comemoração do record do seu blog:

50 mil visitas e 242 postagens!

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A serviço da luta dos educadores de Minas e demais explorados do Brasil e do mundo.


O nosso blog bateu a casa das 50.000 visitas em pouco mais de três meses, desde 28/04/2010, quando colocamos o contador de visitas. Neste curto período, publicamos mais de 200 textos, a maioria dos quais ligada à histórica luta dos educadores de Minas, especialmente à maravilhosa Revolta dos 47 dias.

O blog acabou se tornando uma das muitas expressões de comunicação e análise crítica do importante movimento dos educadores de Minas, preenchendo a lacuna da omissão e do silêncio por parte da mídia mineira e nacional, quase toda ela vendida e cúmplice do faraó e do seu grupo - e de outros grupos afins.

Nosso blog tem procurado manter a fidelidade aos interesses e à luta dos profissionais da Educação pública e o compromisso ético com os de baixo. O blog é claramente contra os governantes de plantão, contra os interesses dos de cima - nacionais e internacionais - e suas artimanhas urdidas para fazer perpetuar a exploração e o sofrimento da maioria da população. Com essa postura o blog recebe forte apoio de educadores e outras personalidades não ligadas à Educação. Dezenas de pessoas visitam diariamente o nosso blog, manifestam suas opiniões livremente e procuram interagir com outros colegas de luta também por meio deste espaço.

O nosso blog tem também procurado contribuir com a construção voluntária e horizontal de uma rede de blogs que trata dos problemas da Educação pública e de outros problemas ligados aos de baixo. De modo informal, dezenas de blogs dialogam entre si com certa frequência. É o caso, só para ficarmos em alguns poucos exemplos, do Blog do COREU, coordenado pelo colega e amigo Wladmir Coelho; do Blog da Cris, da nossa combativa amiga e colega Cristina; do Blog Proeti no Polivalente, de outra combativa colega, a Vanda Sandim de São João del-Rei; do Blog S.O.S. Educação Pública, da igualmente guerreira colega professora Graça Aguiar, do Rio de Janeiro; do Blog Em Busca do Conhecimento, do nosso colega e amigo Sebastião Gonçalves, de Conselheiro Lafaiete, além de grande número de outros valorosos blogs, de colegas professores ou de outras áreas. Além da crítica política e social, encontramos também, nestes blogs, informação variada, poesia, textos acadêmicos, imagens, etc.

Ainda que este movimento virtual de comunicação não se compare ao alcance da grande mídia, ele consegue romper o silêncio cúmplice, atingindo os mais longínquos territórios, contribuindo assim para a verdadeira prática da liberdade de opinião e de expressão, tão decantada por aqueles da mídia burguesa, que infelizmente nunca a praticam.

Num tempo ainda sem calendário programado é possível que este movimento de blogueiros autônomos consiga desenvolver melhor outras ferramentas virtuais, como rádios livres e TVs. Com o avanço da tecnologia e a extensão da rede virtual para as escolas e lares de Minas e do Brasil e do mundo, tudo pode ser pensado. E realizado.

Mas, quaisquer que sejam as mudanças e evoluções ocorridas no mundo virtual como reflexo do mundo real, nosso blog estará sempre, enquanto existir, a serviço da luta dos educadores de Minas e do Brasil e dos de baixo em oposição às elites dominantes. A razão de ser deste blog não é outra senão dar uma firme contribuição para a organização e a luta dos explorados, especialmente ao movimento dos educadores de Minas, ao qual estamos ligados de muitas formas.

Que o nosso movimento - virtual e real - ganhe força, cresça e consiga realizar o sonho de milhares de trabalhadores da Educação, conquistando, na luta, condições dignas de trabalho, salário decente, democracia e autonomia nas escolas. E o nosso blog, quando completar 100 mil visitas e outras tantas postagens, pretende comunicar este acontecimento ao lado dos colegas trabalhadores, seja para chorar as nossas decepções e derrotas, ou para comemorar as nossas conquistas, que esperamos sejam cada vez maiores.

Agradecemos a cada ilustre visitante por nos honrar com sua presença virtual e por nos inspirar nesse trabalho diário de alimentar o blog com o fogo da indignação e da revolta contra as injustiças de que somos vítimas cotidianamente. As elites dominantes podem quase tudo. Quase. Contudo, jamais conseguirão nos calar.

Postado por Blog do Euler às 20:48

Fonte: http://blogdoeulerconrado.blogspot.com

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Salário Anticoncepcional, Culpa e Inveja

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Durante o recesso, recebi a visita de um amigo dos tempos da UERJ, nossa amizade começou durante o curso e se mantém até os dias de hoje. Temos o mesmo tempo de trabalho no magistério e dividimos as nossas inquietações sobre a educação, estamos permanentemente em busca de soluções para dar o melhor para os nossos alunos.

Meu amigo sonha em ter um filho, está preocupado, pois já completou 30 anos e deseja ardentemente ter uma família, mas há uma pedra em seu caminho que impede a realização de seus sonhos: o salário. Como será possível manter uma família, educar uma criança ganhando tão pouco? Abandonar o magistério e partir para outra carreira esta fora de cogitação, pelo menos por enquanto. Será que para atuar no magistério, o docente terá que optar pelo celibato? Nem mesmo a religião impõe essa restrição, São Paulo prescreve o celibato apenas para aqueles que têm vocação. Ter que escolher entre a multiplicação do saber e a multiplicação da espécie é uma punição terrível, imposta à aqueles que cometem o pecado de ter vocação para o magistério. É irônico e cruel que o ser que vai trabalhar com crianças tenha que renunciar o direito da paternidade e da maternidade.

As longas jornadas de trabalho a que temos que nos submeter para ter o básico para a subsistência, mais o tempo trabalhado fora da sala de aula, pois uma parte substancial é feita em casa, não deixa tempo para os docentes se dedicarem à família. No caso das profissionais do sexo feminino, soma-se à sua carga laboral o cuidado com a casa. Foi-se o tempo em que o salário permitia o pagamento de uma empregada.

Atualmente os profissionais que estão atuando no magistério, são os espécimes mais resistentes e capazes da espécie, como também os mais comprometidos com seu trabalho, que estão dando o próprio sangue, os sonhos e a vida para executar as sua tarefas.

Os críticos de plantão, enchem a boca para dizer que o magistério é uma área que só atrai os incapazes, pois só fracassados sem opção aceitam viver nestas condições. Perdôo e lamento a ignorância e a má fé de todos aqueles, que nos enxergam com esse olhar, pois sei que para entrar no magistério, nas atuais condições, só mesmo sendo muito capaz , para quem não sabe, a relação candidato/vaga é maior do que a do vestibular das faculdades públicas e o nível das provas só permitem a entrada dos melhores. E diante das condições adversas que enfrentamos no nosso cotidiano, caso os nossos detratores se dessem ao trabalho de conhecer, poderiam constatar que uma pessoa que se enquadra no perfil de fracassado, não teria a mínima condição psicológica de passar uma hora em sala de aula.

Incapazes e fracassados são aqueles que optaram pela docência, mas não tiveram a coragem de enfrentar o campo de batalha, preferindo se esconder longe da sala de aula, para viverem a educação na teoria, no conforto ilusório do plano ideal, e na tentativa de abafarem os seus complexos de culpa, criticam com tintas carregadas na inveja, aqueles que tiveram e têm a coragem que lhes falta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Educação à moda "casa-grande e senzala"

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A sociedade do Brasil escravocrata era caracterizada pela divisão entre senhores e escravos e o espaço físico também expressava essa dicotomia concretizada na casa-grande e na senzala. Transcorridos 110 anos desde a extinção oficial da escravidão pela assinatura da Lei Áurea a mentalidade e as práticas escravocratas ainda orientam a vida nacional e a divisão da sociedade, mesmo ilegal é real.

A casa-grande e a senzala repaginadas denigrem a nossa paisagem que exibe a riqueza/saber dos senhores e a miséria/ignorância do povo. A nação continua dividida entre ricos e pobres e não há no horizonte perspectivas para diminuir o fosso que se aprofunda a cada gestão. As políticas públicas que deveriam ser orientadas para diminuir as desigualdades, infelizmente parecem voltadas para sua perpetuação e aprofundamento.

Os serviços públicos destinados ao povo, direitos reais e legítimos presentes na Constituição, são encarados como favores e destorcidos pela perspectiva perversa de que “para pobre qualquer coisa serve” e somente em migalhas, o povo tem esses direitos na saúde, na justiça e na educação.

Na área da educação é evidente a orientação dessa mentalidade escravocrata, enquanto os filhos dos abastados recebem uma educação de qualidade que os prepara para o mando e a direção, os filhos dos pobres recebem uma educação sem qualidade que os condenada à subserviência e a dependência.

A negligencia para com a educação é proposital, pois tem como objetivo a perpetuação desse sistema, não permitindo aos seguimentos mais pobres da população adquirir capacitação adequada para romper os grilhões da miséria e conquistar autonomia econômica e intelectual. A escola pública, à semelhança da senzala é caracterizada pelo improviso, ao contrário da escola privada que seguindo os moldes da casa-grande é planejada. Na escola pública aprovação automática, na privada prevalece a aprovação pelo domínio do conteúdo; na pública salas superlotadas e atendimento coletivo, na privada poucos alunos e atendimento individualizado; na pública grade reduzida contemplando um conteúdo mínimo, na privada grade curricular orientada segundo as exigências dos exames para o ingresso no nível superior das melhores instituições.

Nos discursos de campanha para as próximas eleições, candidatos prometem com alarde a ampliação dos cursos técnicos profissionalizantes como avanços para a área de educação pública. É lamentável constatar que em agosto de 2010, o destino reservado para o filho do pobre não é o ensino superior, não é a capacitação para dirigir e planejar, é o caminho do eito, do trabalho para a subsistência, é preciso ocupar as mãos do pobre e deixar a sua consciência embotada, lhe permitir uma educação suficiente apenas para o trabalho físico, pois as vagas para o trabalho intelectual, que possibilitam as oportunidades de administrar, de planejar e influir nos rumos da nação, já estão reservadas para o filho do rico.
Infelizmente, na nossa sociedade os ricos interessados na manutenção do seu status-quo, endossam essa proposta educacional escandalosa e perversa, enquanto a massa de miseráveis conformada, entorpecida pelo banzo e viciada na esmola assistencialista, aceita e aplaude essa proposta na inconsciência da sua liberdade e do poder do seu voto. O triste resultado dessa prática é a manutenção da senzala e o fortalecimento da casa-grande na nossa paisagem e permanência da sociedade brasileira e do Brasil nos tempos coloniais sem ainda ter visto o raiar do século XXI.

Sem uma educação pública de qualidade a longa noite das trevas coloniais continuará dominando essas terras, a igualdade social, a justiça e a democracia continuará sendo um sonho remoto para os cativos, como evidência dessa realidade, reproduzo abaixo um texto de Paulo Henrique Amorim, publicado em seu Blog Conversa Afiada.


Paraisópolis e Morumbi: Casa Grande & Senzala
8/fevereiro/2009 22:05

“A renda das pessoas que moram no Morumbi é dez vezes maior do que a das pessoas que moram em Paraisópolis. Em Paraisópolis há quinze mil analfabetos.
No Morumbi só não vai à universidade quem não quer. Em Paraisópolis, cinco mil crianças não tem escola para estudar. A criança que for à escola aqui no Morumbi pode pagar uma mensalidade de mil, mil e duzentos reais. Oitenta por cento das pessoas que moram em Paraisópolis trabalham no Morumbi como babás, empregadas, faxineiras, seguranças, zeladores. E se você derrubar uma casa em Paraisópolis, que vale dez mil reais, e construir do lado de cá, no Morumbi, essa casa vai valer, no mínimo, um milhão de reais”.

Essa foi uma passagem que fiz para uma reportagem sobre Paraisópolis que o Domingo Espetacular exibiu.

Nesta mesma reportagem, eu disse que se trata, na verdade, da distância que existe entre “Casa Grande & Senzala”.

Paulo Henrique Amorim